sábado, 4 de julho de 2020

Participação em antologias na Argentina

Em época de confinamento, nada confina a criação literária!
Participação em duas antologias dos Escritores Eleutheros, na Argentina, com dois singelos poemas.
E a escrita ganha asas e atravessa as fronteiras...



quinta-feira, 2 de julho de 2020

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Conto "Só o Tempo..."

Participação em mais uma antologia além-fronteiras, com o conto "Só o Tempo".
Pelo prazer da escrita e pela sua intemporalidade... abraço estes desafios!





terça-feira, 5 de maio de 2020

Carpe diem

Participação da Autora Agostinha Monteiro na obra Quarentena – Memórias de um País Confinado, da Chiado Books

    CARPE DIEM

   Acordei, como todas as manhãs desde há um mês, sem o som do despertador. Já não preciso. Já não tenho de me levantar às 6:30.
    O sol nasce e timidamente espreita-me através das persianas que deixo propositadamente entreabertas.   Os seus raios acariciam-me suavemente o rosto. Gosto desta sensação. A natureza, calmamente, reconquista o seu espaço, o seu valor. Ouço os pássaros, do lado de fora da janela, a chilrear. Também reconquistaram a minha atenção, pois enchem o ar com os seus cantos, abafando os parcos ruídos das máquinas que foram obrigatoriamente ensurdecidos.
    Apesar de toda a angústia e medo que reina, sinto que há agora mais esperança para a Humanidade.
    Esta quarentena obrigou-nos a parar! Obrigou-nos a refletir e a darmos realmente importância ao que é essencial. Uns dedicam-se agora mais à família, outros voltam-se para Deus, outros, simplesmente, ganham tempo para eles próprios. Adiam-se projetos, adiam-se sonhos, mas não se adia a Vida.
  Há agora uma nova luta que une os povos e esbate as prioridades. Em união, procuramos desesperadamente vencer este vírus invisível, que nos corrói física e psicologicamente. Através de ações conjuntas, voltamo-nos para a verdadeira essência humana: VIVER, independentemente dos credos ou das diferenças sociais. Nisto, somos todos iguais!

    Multiplicamos os gestos humanitários, fazemos sacrifícios em prol da vida. Porque cada novo dia deve alimentar a esperança de poder viver plenamente.

    Carpe diem!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O Tolo e o Rouxinol

Aqui fica mais um textinho publicado...


Certo homem gostava de passar o seu tempo a caçar pássaros para comer. As pobres aves, assim que o viam, abriam asas e fugiam o mais rapidamente possível.

Apesar da agitação, nem todos estavam atentos. Num raminho de uma árvore, um jovem rouxinol continuava o seu canto, alheio ao que se passava em seu redor.

Sorrateiramente, o homem foi-se aproximando e, num gesto rápido, capturou o jovem pássaro.

Apesar do seu tamanho, o rouxinol tentou negociar a sua liberdade.

_ Por favor, liberta-me!_ Exclamou ele_ Sou tão pequeno e tão magro que continuarás com a mesma fome! Devolve-me a liberdade e em troca dar-te-ei três conselhos que te serão muito úteis.

_ Hum… _ disse o homem_ que conselhos podes tu ter para mim? Que poderei eu aprender contigo? És bem mais útil no meu estômago…

_Para! Que tens tu a perder? _ Interrompeu o rouxinol_ É muito simples, dar-te-ei o primeiro conselho quando ainda estiver na tua mão. O segundo quando estiver no primeiro ramo dessa árvore, para que possas voltar a apanhar-me se o conselho não te convier, e o terceiro dar-to-ei quando estiver a voar no céu, por ser o mais importante.

Embora não estivesse muito convencido, o homem acabou por concordar.

_ O primeiro conselho é que nunca deves arrepender-te se perderes alguma coisa _ proferiu o rouxinol.

O homem refletiu um pouco sobre o conselho e libertou o pássaro. Na verdade, pensou ele, é um conselho bem sábio, pois o desprendimento dos bens materiais é o verdadeiro segredo da liberdade.

Sentindo-se já livre, o rouxinol pousou no primeiro ramo da árvore e deu-lhe o segundo conselho:

_ Se o que te contarem for absurdo, não acredites a menos que te deem uma prova.

O homem estava deveras admirado, afinal o pássaro era muito mais sábio do que muitos homens. É comum ao ser humano deixar-se iludir e enganar devido à vaidade ou à bajulação.

_ Então e qual é o terceiro conselho? _Questionou o homem.

Já a esvoaçar pelo céu, o rouxinol gritou:

_ Tenho, no estômago, dois grandes diamantes do tamanho dos teus punhos. Se me tivesses matado, terias ficado rico!

Louco de raiva, o homem pôs-se a atirar pedras ao pássaro. Depois, sentou-se e começou a chorar, lamentando a sua sorte por ter sido tão estúpido e se ter deixado enganar tão facilmente.

Pousado no cimo de uma árvore, o rouxinol observava o homem. Por fim exclamou:

_ És mesmo um imbecil! Dei-te três conselhos e nada aprendeste com eles: disse-te para nunca de arrependeres de nada e já estás arrependido por me teres libertado; disse-te para não acreditares no absurdo e acreditaste que um pássaro tão pequeno como eu poderia ter dois enormes diamantes no estômago! Por seres tão cego e presunçoso nunca poderás voar livre no céu como eu!

 Agostinha Monteiro