quinta-feira, 23 de julho de 2026

Menção honrosa, na categoria de prosa, no XIX Concurso Literário « Professor Mário Clímaco»

 

É com enorme gratidão e emoção que recebo esta Menção Honrosa, na categoria de Prosa, do XIX Concurso Literário «Professor Mário Clímaco», atribuída ao meu texto O Eco da Ausência.

Quero expressar o meu sincero agradecimento à Academia Alepon por esta distinção, que muito me honra e incentiva a continuar a escrever. Ver o meu trabalho reconhecido por um júri internacional é um privilégio e uma motivação para prosseguir este caminho literário com ainda maior dedicação.

Agradeço igualmente a todos os que tornam possível a realização deste concurso, promovendo a literatura, a língua portuguesa e a criação literária. Iniciativas como esta são fundamentais para dar voz aos autores e valorizar a escrita como forma de expressão, reflexão e partilha.

Recebo esta Menção Honrosa com humildade, alegria e um profundo sentimento de reconhecimento.

Muito obrigada à Academia Alepon por esta honra.




segunda-feira, 1 de junho de 2026

Entre fios e sombras




Mais um projeto concretizado! Desta vez usando a novela como subgénero narrativo.

Aqui fica a sinopse:



Pode ser adquirido na Fnac, Wook, Bertrand ou site da editora.

Entre Fios e Sombras de Agostinha Monteiro - Livro - WOOK

https://oficinadaescrita.com/produto/entre-fios-e-sombras/ 

À editora o meu muito obrigada.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Poema «O ser humano»

 


Poema musicado

O ser humano
 é uma centelha caminhando
 no silêncio vasto do universo.

Pequeno
 como um grão de poeira
 perdido no pó das galáxias
 e ainda assim
 capaz de carregar constelações
 dentro do peito.

Somos
 sementes de sentido
 lançadas no solo do tempo.

Mãos frágeis
 mas feitas para moldar mundos.
 Palavras leves
 mas capazes de levantar pontes
 sobre abismos invisíveis.

Há um rumor de humanidade
 na respiração de cada rosto
 um murmúrio manso
 um milagre mínimo
 que insiste em nascer
 todas as manhãs.

Porque o humano
 é mais que carne e caminho
 é consciência que questiona
 é cuidado que cresce
 é coragem que cria.

Somos fogo e fragilidade
 vento e vontade.

E quando um ser humano
 estende a mão a outro
 o universo inteiro
 parece aprender
 a ser mais humano.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Dia do livro português



O Dia do Livro Português foi instituído pela Sociedade Portuguesa de Autores com o  objetivo de destacar a relevância do livro, do saber e da língua portuguesa em todo o mundo. A data escolhida, 26 de março, marca um momento histórico: em 1487, foi impresso em Portugal o primeiro livro, o “Pentateuco”, em hebraico, nas oficinas do judeu Samuel Gacon, na Vila-a-Dentro, em Faro. Já o primeiro livro escrito em português foi impresso no Porto, em 4 de janeirode 1497, pelo impressor Rodrigo Álvares, com o título “Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto”. 

Tendo participado em várias coletâneas portuguesas e internacionais, assinalo aqui a minha produção literária, publicada em Portugal:

(2026). Entre fios e sombras (edição bilingue). brevemente perto de si

(2025). Quando as palavras abraçam o sentir (edição bilingue). Vila Nova de Gaia: Editora Poesia Fã Clube

(2025). Entre o hoje e o amanhã (edição bilingue). Vila Nova de Gaia: Editora Artelogy

(2024). O fenómeno das flores inodoras. Vila Nova de Gaia: Editora Artelogy

(2023). O Quarteto Det do Colégio Invicta- o caso dos lanches desaparecidos. Vila Nova de Gaia: Editora Artelogy.

(2022). Vidas em devir (Edição bilingue). Vila Nova de Gaia: Editora Artelogy.

(2022). Contos Fabulásticos (Edição trilingue). Rio Tinto: Mosaico de Palavras Editores.

(2021). Dedilhando Poesia. Vila Nova de Gaia: Poesia Fã Clube.

(2012). Contos de Esperança. Rio Tinto: Mosaico de Palavras Editores.

(2011). Lendas e Histórias de Aguiar da Beira. Rio Tinto: Mosaico de Palavras Editores.

(2010). Aprender a Escrever, mecanismos de estruturação textual. Rio Tinto: Mosaico de Palavras Editores.




quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A linha invisível

 



A Linha Invisível


    O sol nascente tingia de âmbar as colinas ondulantes que separavam Portugal de Espanha.

    Naquela «terra de ninguém», onde os carvalhos se curvavam ao vento e os ribeiros sussurravam

segredos antigos, dois homens caminhavam em silêncio.

    António, um contrabandista experiente, conhecia cada vereda e cada sombra da serra. Os

seus olhos, endurecidos pelo tempo, fitavam o horizonte com desconfiança. Ao seu lado, Manuel,

um jovem idealista, carregava uma mochila repleta de panfletos revolucionários e sonhos de

liberdade.

    «A fronteira não é apenas uma linha no mapa,» murmurou António, quebrando o silêncio.

    «É uma ferida aberta,» respondeu Manuel, «uma cicatriz que separa irmãos e histórias.»

    Caminharam durante horas, atravessando vales e escalando encostas, até alcançarem o

marco de pedra que assinalava a divisão entre os dois países. Ali, sob o céu vasto e indiferente,

pararam.

    «Daqui em diante, estás por tua conta,» disse António, entregando a Manuel um mapa e

um aperto de mão firme.

    Manuel assentiu, os olhos brilhando com determinação. «Obrigado, António. Pela ajuda...

e pela esperança.»

    Naquela manhã, sob o céu que não reconhecia nações, dois homens cruzaram uma linha

invisível, cada um carregando consigo o peso e a promessa de um mundo sem fronteiras.

Enquanto Manuel desaparecia entre as árvores do lado espanhol, António permaneceu

imóvel, observando. Sabia que, embora as fronteiras pudessem ser atravessadas fisicamente, as

verdadeiras barreiras residiam nos corações e nas mentes das pessoas.

    António, ali parado, recordava as histórias dos que, como Manuel, haviam deixado para

trás tudo o que conheciam em busca de uma vida melhor. Pensava no que significava ser

«imigrante», no seu contributo para a economia, preenchendo lacunas no mercado de trabalho e

trazendo inovação através do empreendedorismo. Refletia também sobre a riqueza cultural que a

migração proporcionava: a diversidade de línguas, as tradições e as perspetivas que enriqueciam

a sociedade. Percebia que, ao abraçar a diversidade, se construía uma sociedade mais inclusiva e

mais tolerante. E também ele sonhava com a liberdade.

    Com um suspiro, António virou-se e iniciou o caminho de volta. Sabia que, embora as

fronteiras físicas pudessem ser ultrapassadas, era nas atitudes e nas políticas que se encontravam

os verdadeiros desafios. No entanto, também sabia que, com compreensão e empatia, era possível

construir pontes onde antes havia muros.

    Naquele momento, António compreendeu que cada passo dado em direção à aceitação e

à inclusão era um passo rumo a um mundo mais justo e solidário.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Poema «A memória», participação no XXVI Concurso Agostinho Gomes.

 


A memória

A memória é um fio,
que se tece em silêncio
entre os dedos do tempo.

É o nome murmurado
numa rua antiga,
a sopa que ferve
na panela da infância,
o cheiro da terra molhada
quando corríamos descalços.

A memória é uma casa
sem paredes nem fechaduras,
onde cabem os que já partiram
e os risos que ainda ecoam.

É vela acesa
no escuro do presente,
bússola secreta
nos mapas do coração.

Guarda em si
o que os dias não dizem,
o que os livros não sabem,
o que os olhos esquecem.

E quando tudo parece ruir,
vem a memória — suave, fiel —
sentar-se connosco no banco do tempo,
e dizer baixinho:
Não estás só, ainda te lembras.