Muito obrigada pela distinção!
IX CONCURSO LITERÁRIO "CIDADE DE OURO BRANCO
É com enorme gratidão e emoção que recebo esta Menção Honrosa, na categoria de Prosa, do XIX Concurso Literário «Professor Mário Clímaco», atribuída ao meu texto O Eco da Ausência.
Quero expressar o meu sincero agradecimento à Academia Alepon por esta distinção, que muito me honra e incentiva a continuar a escrever. Ver o meu trabalho reconhecido por um júri internacional é um privilégio e uma motivação para prosseguir este caminho literário com ainda maior dedicação.
Agradeço igualmente a todos os que tornam possível a realização deste concurso, promovendo a literatura, a língua portuguesa e a criação literária. Iniciativas como esta são fundamentais para dar voz aos autores e valorizar a escrita como forma de expressão, reflexão e partilha.
Recebo esta Menção Honrosa com humildade, alegria e um profundo sentimento de reconhecimento.
Muito obrigada à Academia Alepon por esta honra.
Mais um projeto concretizado! Desta vez usando a novela como subgénero narrativo.
Aqui fica a sinopse:
Pode ser adquirido na Fnac, Wook, Bertrand ou site da editora.
Entre Fios e Sombras de Agostinha Monteiro - Livro - WOOK
https://oficinadaescrita.com/produto/entre-fios-e-sombras/
À editora o meu muito obrigada.
O ser humano
é uma centelha caminhando
no silêncio vasto do universo.
Pequeno
como um grão de poeira
perdido no pó das galáxias
e ainda assim
capaz de carregar constelações
dentro do peito.
Somos
sementes de sentido
lançadas no solo do tempo.
Mãos frágeis
mas feitas para moldar mundos.
Palavras leves
mas capazes de levantar pontes
sobre abismos invisíveis.
Há um rumor de humanidade
na respiração de cada rosto
um murmúrio manso
um milagre mínimo
que insiste em nascer
todas as manhãs.
Porque o humano
é mais que carne e caminho
é consciência que questiona
é cuidado que cresce
é coragem que cria.
Somos fogo e fragilidade
vento e vontade.
E quando um ser humano
estende a mão a outro
o universo inteiro
parece aprender
a ser mais humano.
O
Dia do Livro Português foi instituído pela Sociedade Portuguesa de Autores com
o objetivo de destacar a relevância do
livro, do saber e da língua portuguesa em todo o mundo. A data escolhida, 26 de
março, marca um momento histórico: em 1487, foi impresso em Portugal o primeiro
livro, o “Pentateuco”, em hebraico, nas oficinas do judeu Samuel Gacon, na
Vila-a-Dentro, em Faro. Já o primeiro livro escrito em português foi impresso
no Porto, em 4 de janeirode 1497, pelo impressor Rodrigo Álvares, com o título
“Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto”.
(2026). Entre fios e sombras
(edição bilingue). brevemente perto de si
(2025). Quando as palavras abraçam
o sentir (edição bilingue). Vila Nova de Gaia: Editora Poesia Fã Clube
(2025). Entre o hoje e o
amanhã (edição bilingue). Vila Nova de Gaia: Editora Artelogy
(2024). O fenómeno das
flores inodoras. Vila Nova de Gaia: Editora Artelogy
(2023). O Quarteto Det do
Colégio Invicta- o caso dos lanches desaparecidos. Vila Nova de Gaia:
Editora Artelogy.
(2022). Vidas em devir (Edição bilingue).
Vila Nova de Gaia: Editora Artelogy.
(2022). Contos Fabulásticos
(Edição trilingue). Rio Tinto: Mosaico de Palavras Editores.
(2021). Dedilhando Poesia. Vila
Nova de Gaia: Poesia Fã Clube.
(2012). Contos de Esperança. Rio
Tinto: Mosaico de Palavras Editores.
(2011). Lendas e Histórias de Aguiar da
Beira. Rio Tinto: Mosaico de Palavras Editores.
(2010). Aprender a Escrever, mecanismos
de estruturação textual. Rio Tinto: Mosaico de Palavras Editores.
A Linha Invisível
O sol nascente tingia de âmbar as colinas ondulantes que separavam Portugal de Espanha.
Naquela «terra de ninguém», onde os carvalhos se curvavam ao vento e os ribeiros sussurravam
segredos antigos, dois homens caminhavam em silêncio.
António, um contrabandista experiente, conhecia cada vereda e cada sombra da serra. Os
seus olhos, endurecidos pelo tempo, fitavam o horizonte com desconfiança. Ao seu lado, Manuel,
um jovem idealista, carregava uma mochila repleta de panfletos revolucionários e sonhos de
liberdade.
«A fronteira não é apenas uma linha no mapa,» murmurou António, quebrando o silêncio.
«É uma ferida aberta,» respondeu Manuel, «uma cicatriz que separa irmãos e histórias.»
Caminharam durante horas, atravessando vales e escalando encostas, até alcançarem o
marco de pedra que assinalava a divisão entre os dois países. Ali, sob o céu vasto e indiferente,
pararam.
«Daqui em diante, estás por tua conta,» disse António, entregando a Manuel um mapa e
um aperto de mão firme.
Manuel assentiu, os olhos brilhando com determinação. «Obrigado, António. Pela ajuda...
e pela esperança.»
Naquela manhã, sob o céu que não reconhecia nações, dois homens cruzaram uma linha
invisível, cada um carregando consigo o peso e a promessa de um mundo sem fronteiras.
Enquanto Manuel desaparecia entre as árvores do lado espanhol, António permaneceu
imóvel, observando. Sabia que, embora as fronteiras pudessem ser atravessadas fisicamente, as
verdadeiras barreiras residiam nos corações e nas mentes das pessoas.
António, ali parado, recordava as histórias dos que, como Manuel, haviam deixado para
trás tudo o que conheciam em busca de uma vida melhor. Pensava no que significava ser
«imigrante», no seu contributo para a economia, preenchendo lacunas no mercado de trabalho e
trazendo inovação através do empreendedorismo. Refletia também sobre a riqueza cultural que a
migração proporcionava: a diversidade de línguas, as tradições e as perspetivas que enriqueciam
a sociedade. Percebia que, ao abraçar a diversidade, se construía uma sociedade mais inclusiva e
mais tolerante. E também ele sonhava com a liberdade.
Com um suspiro, António virou-se e iniciou o caminho de volta. Sabia que, embora as
fronteiras físicas pudessem ser ultrapassadas, era nas atitudes e nas políticas que se encontravam
os verdadeiros desafios. No entanto, também sabia que, com compreensão e empatia, era possível
construir pontes onde antes havia muros.
Naquele momento, António compreendeu que cada passo dado em direção à aceitação e
à inclusão era um passo rumo a um mundo mais justo e solidário.
A memória
A memória é um fio,
que se tece em silêncio
entre os dedos do tempo.
É o nome murmurado
numa rua antiga,
a sopa que ferve
na panela da infância,
o cheiro da terra molhada
quando corríamos descalços.
A memória é uma casa
sem paredes nem fechaduras,
onde cabem os que já partiram
e os risos que ainda ecoam.
É vela acesa
no escuro do presente,
bússola secreta
nos mapas do coração.
Guarda em si
o que os dias não dizem,
o que os livros não sabem,
o que os olhos esquecem.
E quando tudo parece ruir,
vem a memória — suave, fiel —
sentar-se connosco no banco do tempo,
e dizer baixinho:
Não estás só, ainda te lembras.
Nenhum escritor gosta de escrever sem antes gostar de ler. A leitura é o ponto de partida da escrita e de qualquer forma de expressão mais elaborada. Ler alimenta a imaginação, amplia o vocabulário e oferece modelos de linguagem e de pensamento que inspiram novas criações. Além de ser essencial para quem escreve, a leitura é uma atividade fundamental para o desenvolvimento humano, pois contribui para a formação intelectual, emocional e social dos indivíduos. Mais do que apenas decifrar palavras, ler é compreender, interpretar e atribuir sentido ao mundo que nos rodeia. Quando praticada com regularidade, a leitura traz inúmeros benefícios que se refletem no desempenho escolar, na capacidade de comunicação, na criatividade e no fortalecimento do pensamento crítico.
Do ponto de vista cognitivo, a leitura estimula diversas áreas do cérebro relacionadas à linguagem, memória e atenção. Ao ler, o cérebro cria novas ligações neurais e fortalece as já existentes, o que melhora a plasticidade cerebral e amplia a capacidade de aprendizagem. Além disso, os leitores frequentes desenvolvem um vocabulário mais rico e uma maior facilidade para compreender textos complexos, argumentar e resolver problemas.
A leitura também traz benefícios emocionais e sociais. As obras literárias, por exemplo, permitem ao leitor colocar-se no lugar das personagens, reconhecendo e compreendendo diferentes emoções e pontos de vista. Esse processo favorece o desenvolvimento da empatia, do respeito à diversidade e da tolerância. Ler pode ainda aproximar as pessoas, fortalecendo laços familiares e comunitários e promovendo a participação social.
No contexto educacional, a leitura é um elemento central. Ela possibilita que os alunos compreendam e analisem informações, participem em debates e exerçam a sua cidadania de forma consciente. Os programas de incentivo à leitura desenvolvidos nas bibliotecas escolares têm mostrado resultados positivos no rendimento académico e no envolvimento social dos jovens. Por isso, estimular o hábito da leitura desde a infância é essencial para formar cidadãos críticos, criativos e participativos.
Em suma, a leitura é um instrumento poderoso de transformação pessoal e social. Ela contribui para o desenvolvimento cognitivo, fortalece as competências socioemocionais e promove uma sociedade mais informada e solidária. Investir no acesso à leitura e incentivar esse hábito são passos fundamentais para construir um futuro mais justo e consciente para todos.
Deixo aqui um pequeno trecho do conto que publiquei nesta antologia como sugestão de leitura:
«Na vila
serena de Aguiar da Beira, onde os dias escorriam lentos ao compasso dos sinos
da igreja e os pardais pareciam murmurar segredos ao vento, erguia-se um banco
de jardim discreto, mas fiel testemunha do passar do tempo. Feito de madeira
gasta e tinta descascada pelo sol e pela chuva, as pessoas gostavam de aí
descansar, sob a sombra acolhedora de um velho plátano. Aquele era o trono
diário do senhor Manuel, um ancião de setenta e nove primaveras, sempre de
chapéu castanho pousado como uma coroa na cabeça, e com um jornal dobrado, mais
por hábito do que por leitura.
Os jovens
passavam por ele com pressa, os olhos mergulhados nos ecrãs e os ouvidos abafados
pelos auscultadores. Os idosos, muitos já desaparecidos ou encerrados nas suas
casas, eram memórias ambulantes que raramente se deixavam ver. Manuel estava
só, mas a solidão não lhe pesava. Observava o mundo em silêncio, escutava o
rumor do tempo e, sobretudo, recordava. Cada folha caída trazia-lhe de volta um
rosto, uma voz, uma rua que já não existia senão na sua memória.
Numa
manhã dourada de outono, Carolina, uma rapariga de catorze anos de olhos
curiosos e passos leves, interrompeu a rotina. Ia a caminho da escola, como
sempre, mas nesse dia algo a fez parar: talvez a forma como o sol repousava
sobre o velho chapéu, ou o semblante sereno de quem guarda segredos ancestrais.
Sentou-se no banco, respeitando a distância, e lançou um tímido "bom
dia".
O senhor Manuel
ergueu os olhos, surpreso, e respondeu com um aceno e um sorriso que parecia
conter uma história inteira. O silêncio entre ambos durou alguns instantes,
entreolharam-se como dois viajantes que se encontram em margens opostas do
mesmo rio. Carolina, levada por um impulso inexplicável, perguntou:
— Gosta
de ler o jornal?
Ele pousou
os olhos sobre o papel, como se o visse pela primeira vez, com a estranheza de
quem reconhece algo que já não lhe pertence inteiramente.
— Leio
menos do que recordo, menina. Há verdades que os jornais jamais saberão narrar.
Carolina
franziu o sobrolho, inclinou ligeiramente a cabeça, curiosa:
— Como
quais?
O senhor Manuel
encostou-se ao encosto do banco, cruzou as mãos sobre o jornal e deixou escapar
um leve suspiro, como se estivesse a abrir uma arca antiga.
— Como o
cheiro a pão quente que saía da padaria do senhor Amândio, às cinco da manhã.
Nenhum jornal alguma vez escreveu sobre isso, mas era esse cheiro que anunciava
o dia à vila, muito antes do sino da igreja. Ou a forma como a minha mãe
assobiava sempre que pendurava a roupa — não era uma melodia conhecida, era só
dela. No entanto, naquele assobio cabia o mundo inteiro.»
(continua...)
Para aquisição da antologia, aqui deixo o link da editora:
Notag - Edição de Livros de Autor
Destaco aqui outro conto da coletânea Porto, uma cidade com alma, da Chiado books
Amor traiçoeiro
Chegado à Ribeira do Porto, lá estava ela toda lustrosa e
sorridente, à sua espera, na borda do cais dos Guindais. Eva assim costumava
proceder, duas ou três vezes por semana, logo que divisasse o barco de Abel, ao
longe, carregado de carqueja ou carvão de choça.
Eva agenciava as carquejeiras que Abel lhe solicitava, as
quais carregavam, desde os Guindais até à cota alta da cidade, penosamente, pela
calçada da Corticeira acima, feixes de carqueja de duas ou três arrobas, mais
volumosos que o seu próprio corpo.
Abel, em 1944, era um fornecedor de carqueja, lenhas de
diversa natureza, madeiras e carvão de choça, à cidade do Porto. Conquanto
houvesse já uma estrada de ligação entre a sua freguesia de Emendadas e a
cidade, continuava a ser economicamente mais favorável o transporte dessa
matéria prima, por barco, especialmente quando provinha da área florestal
marginal ao rio. Era um barco de carga, algo semelhante ao rabelo, o qual se
designava por rabão.
Em 19 de Junho desse ano, Abel, então com 44 anos, fazia mais
uma das suas inúmeras viagens, entre a sua freguesia de Emendadas e a cidade do
Porto, empoleirado na proa do seu rabão. Governavam a embarcação três
tripulantes. Um deles, o que se encarregava da espadela, mais velho, por isso
mais afoito, espicaçou Abel, ultimamente muito introvertido e tristonho:
- Ó Ti Abel, você vai aí a cismar… não cisme homem! Quando
chegar ao Porto, lá tem a carquejeira à sua espera !
Abel, olhando à consideração que tinha por aquele tripulante,
aceitou-lhe a ousadia, coisa que não aceitaria de nenhum dos outros, porém,
achou dever corrigi-lo, nestes termos:
-Sabes Delfim, desde que me morreu a minha, só penso nos meus
dois filhinhos órfãos de mãe, cuidados por tias. E a Eva não é nenhuma
carquejeira, até é uma senhora muito bem posta.
Abel, na verdade, desde que lhe morrera a esposa, do parto
distócico do segundo filho, intermediava a sua solidão com noites de
encantamento desabrido nos braços da espevitada Eva, numa casinha que tinha
numa ilha das Fontainhas. Por isso não tinha gostado que Delfim a apodasse de
carquejeira, mulher pobre, sem eira nem beira. Eva não era nenhuma carrejona,
sabia ler, escrever e apontar, num livrinho de capas pretas, as cargas que cada
carquejeira transportava. Ademais, alfaiava-se como uma senhora da cidade, no
modo como se vestia e calçava e até como empinava o nariz.
Chegado ao Porto, Abel, logo que o seu rabão encostou ao
cais, saiu borda fora, ao encontro de Eva que o esperava ansiosa. Nos últimos
minutos que precederam o seu desembarque tinha feito as últimas recomendações
ao Delfim, enquanto dava uns retoques no cabelo desalinhado pela brisa do rio,
guiado por um pequeno espelho redondo que ultimamente trazia sempre consigo, no
bolso do casaco de onde tirara o pente. Seguiram ambos de braço dado, na direção
da estação de S. Bento, parando junto de um dos engraxadores que pregoavam o
seu serviço em clara competição. Abel, desde que enviuvara, tornara-se mais
vaidoso, e não entrava na casa de Eva sem dar aos sapatos uma cara nova.
Cuidadosamente escondidos no forro do casaco, levava quinze
contos, para sinalizar um grande negócio de lenha em Avintes. Esperá-lo-ia, no
dia seguinte, o vendedor, na freguesia do outro lado do rio, alguns quilómetros
a montante do Porto. Seria o maior negócio de sempre, o mais rendoso de todos,
para Abel, se se consumasse.
Tinham dado a volta por S. Bento, Rua de S. António e Praça
da Batalha, numa estratégia engendrada por Eva, visando conseguir de Abel a oferta
de alguma peça da moda. Mas Abel, que trazia o dinheiro contado para o negócio,
resistiu à tentação. Ademais precisava de lhe juntar tanto quanto o que trazia
para perfazer a quantia do sinal estabelecido. Que se contivesse, porque se o
negócio lhe corresse bem, nada lhe faltaria.
Eva não era de desistir à primeira recusa. Havia de o tentar
de novo, logo que entrassem na sua modesta mas asseada casinha da ilha. Aí,
como quase sempre acontecia, havia de lhe quebrar o bom senso, quando o levasse
ao zénite da sofreguidão sexual.
Mal transpuseram a porta da casa, fecharam-na como se
fugissem de alguém e logo se sentaram no bordo da cama de ferro, que outro
sítio não havia onde ambos coubessem. A casa, uma das que compunham a fileira
de sete justapostas, limitava-se ao espaço do quarto separado da acanhada
cozinha por um tabique de fasquio.
Eva, abraçada a Abel, achou que aquele era o momento de jogar
as cartas todas. Não se lhe entregou plenamente, preferiu conter-lhe a volúpia
ao mesmo tempo que, de rádio ligado, criava uma atmosfera festiva dentro do
quarto. Enquanto o abraçava sentiu que Abel trazia escondido no forro do casaco
uma grande quantidade de papéis que seria, por certo, dinheiro, muito dinheiro.
Eva não resistiu a pedir-lhe um aumento da mesada, pois o que lhe vinha a dar
não chegava a nada. Abel, olhava à volta, descoroçoado. Afinal, Eva, que ele
julgava poder vir a substituir a falecida mãe de seus filhos, só lhe cobiçava o
dinheiro. Pior, ela sabia, agora que ele trazia consigo muito dinheiro, aliás,
sabia do grande negócio que ele tinha acordado com um lavrador de Avintes…
Não terminara ali, sob o peso da desconfiança, apenas a
vontade de uma noite de corpos cruzados. Descruzaram-se em absoluto as vidas de
ambos. Abel bateu a porta como se receasse que ela, agora já uma cobra, viesse
no seu encalço. Tinha-lhe pago a instalação de telefone em casa e lembrou-se
que deveria correr para apanhar a carreira para Avintes, antes que ela
telefonasse a algum tratante para o assaltar.
No dia 23 de junho, os jornais diários do Porto davam conta de que já tinha
sido identificado o cadáver encontrado na Praia da Escócia, em Avintes. Era o
corpo de Abel morto com um tiro de caçadeira, despojado de identificação e do
dinheiro que pretendia levar ao lavrador de Avintes.
Porto, uma cidade com alma ( em 2 tomos), da Chiadobooks, no qual participei com o conto "A cidade que me escolheu" (tomo I), cuja protagonista tem como nome Ariana.
Pode ser adquirido no site da editora ou na feira do livro do Porto.
Alguns comentários sobre a obra Entre o Hoje e o Amanhã
Entre o Hoje e o Amanhã: uma travessia de consciência e esperança
Entre o Hoje e o Amanhã, de Agostinha Monteiro, não é apenas um livro para ser lido – é um convite à escuta interior, um diálogo profundo entre o presente e o futuro, entre o que somos e aquilo que poderemos ser. Com a sensibilidade que lhe é característica, a autora propõe uma jornada reflexiva que transcende o tempo cronológico e mergulha nas camadas da existência humana, onde cada gesto do presente constrói, silenciosamente, os alicerces do amanhã.
Do ponto de vista pedagógico, esta obra oferece múltiplas possibilidades de abordagem. É, antes de mais, um excelente ponto de partida para a educação da interioridade, tema cada vez mais urgente numa sociedade marcada pela velocidade, pela dispersão e pela superficialidade. A autora convida o leitor a parar, a contemplar, a questionar. O “hoje” não surge como espaço fechado, mas como chão fértil onde se semeiam intenções, valores, escolhas conscientes. E o “amanhã”, longe de ser uma promessa vaga, torna-se responsabilidade ética: o reflexo de tudo o que se cultiva no tempo presente.
A linguagem poética e simbólica do texto permite ao leitor entrar num ritmo diferente do habitual. A leitura torna-se uma prática meditativa, quase ritual, em que cada palavra transporta densidade e afeto. A autora não oferece respostas prontas – provoca inquietações, e é nessa inquietação que reside a sua força formativa. Para o educador, este livro pode ser trabalhado como instrumento de desenvolvimento emocional e espiritual, em ambientes escolares, comunitários ou terapêuticos.
Num tempo em que a educação tende a privilegiar a produtividade e o desempenho, Entre o Hoje e o Amanhã resgata a importância do ser sobre o ter, do silêncio sobre o ruído, da escuta sobre a imposição. Convida a pensar o futuro não como fatalidade, mas como construção. E isso implica, necessariamente, uma postura ética e atenta no presente.
Em suma, a autora recorda-nos que cada gesto, por mais pequeno que seja, contém em si a possibilidade de transformação e que o verdadeiro amanhã não começa num tempo distante, mas no modo como escolhemos viver o agora.
Agostinha Monteiro
Mais uma vez, participei com 3poemas na coletânea Alma Latina-6, um espaço dedicado à promoção das línguas e de autores latinos, bem como ao prazer da escrita.
Muito obrigada ao José Maria Ramada pela iniciativa e pela sua dedicação.
No dia 5 de junho de 2025, pelas 18h, teve lugar, na Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, a apresentação do meu novo livro Entre o Hoje e o Amanhã. Foi um momento especial, pleno de afetos e partilhas, que guardarei com ternura na memória.
Com o coração cheio, renovo o meu agradecimento à Senhora Diretora, Anabela Pereira, por ter disponibilizado o espaço e, sobretudo, por ter estado presente, apesar das inúmeras responsabilidades que sempre a acompanham. O seu gesto teve um significado profundo para mim.
Um obrigada muito sentido à Luísa Santos, pela generosidade e delicadeza com que aceitou o convite para apresentar a obra. As suas palavras tocaram-me e deram ainda mais luz a este momento.
À querida Anabela Amaral, a minha gratidão pela sensibilidade da sinopse e, mais ainda, pela sua presença constante, pelo apoio discreto mas firme, e pela orientação que tantas vezes me guiou.
Um agradecimento especial às talentosas Eva Guedes e Sofia Alves, que trouxeram magia através da música, e à Mariana Santos, cuja leitura sentida deu vida às palavras escritas.
Por fim, a todos os que estiveram presentes — obrigada, do fundo do coração. A vossa presença, o vosso carinho e apoio tornaram esta celebração verdadeiramente inesquecível.
Ler é muito mais do que uma tarefa escolar — é uma viagem. Cada página pode ser uma porta aberta para novas ideias, culturas, histórias e sonhos. Ler ajuda-nos a pensar melhor, a escrever com mais clareza e a falar com mais confiança, mas, mais do que isso, ler ensina-nos a olhar o mundo com olhos mais atentos e curiosos.
Hoje, mais do que nunca, precisamos de leitores que saibam pensar. Vivemos rodeados de informação: nas redes sociais, nas notícias, nos vídeos, nos anúncios que surgem a cada clique. A literacia mediática — a capacidade de perceber como funcionam os meios de comunicação e de distinguir entre o verdadeiro e o falso — tornou-se essencial. Saber ler um texto é importante, mas saber interpretar uma notícia, questionar uma imagem, ou descodificar uma mensagem nas redes sociais é, hoje, uma verdadeira superpoder.
Professores e alunos caminham juntos nesta missão. Aos professores cabe o papel inspirador de guiar, provocar a dúvida, lançar perguntas e abrir caminhos. Aos alunos, o desafio de explorar, de arriscar pensar de forma diferente, de se tornarem leitores atentos e cidadãos conscientes.
Ler com sentido. Ver com espírito crítico. Pensar antes de partilhar. São gestos simples que fazem toda a diferença.
Porque quem lê o mundo... tem mais mundo dentro de si.