terça-feira, 4 de novembro de 2025

Poema «A memória», participação no XXVI Concurso Agostinho Gomes.

 


A memória

A memória é um fio,
que se tece em silêncio
entre os dedos do tempo.

É o nome murmurado
numa rua antiga,
a sopa que ferve
na panela da infância,
o cheiro da terra molhada
quando corríamos descalços.

A memória é uma casa
sem paredes nem fechaduras,
onde cabem os que já partiram
e os risos que ainda ecoam.

É vela acesa
no escuro do presente,
bússola secreta
nos mapas do coração.

Guarda em si
o que os dias não dizem,
o que os livros não sabem,
o que os olhos esquecem.

E quando tudo parece ruir,
vem a memória — suave, fiel —
sentar-se connosco no banco do tempo,
e dizer baixinho:
Não estás só, ainda te lembras.

 


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